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Eritrea1

 

 

 

 

 

 

 

 

Amanuel Asrat (1999)
(Translated from Tigrinya by Tedros Abraham
Portuguese Version by Teresa Salema Cadete)

Algo grunhiu
Algo ensurdeceu
Devassando a serenidade
Ecoou algo.
… Ficou retido
Ali onde dois irmãos permutam
Ali onde dois irmãos se encontram
Ali onde dois irmãos se juntam
Na praça da vida e da morte
No golfo da calamidade e do cultivo
No vale da ansiedade e da paz
Algo ecoou.
Onde chia e seraw cuspindo um no outro
Sorgo e gramíneas se matam mutuamente
Sem ninguém os colher, vão-se devorando
Até formarem uma só semente…
Repleta de lágrimas
Cortando uma parte – decepada
Semeando-se a si própria.
… plantada
No ainda borbotando
Indiscernível de quê e de quem
Torrente de sangue e água.,
A semente…
Assistida por:
Sol congelante
Nuvem nimbus tempestuosa
Relâmpago grisáceo
Chuva escaldante…;
Escorregando por sucatas de ferro
Escalando o espírito da morte
Ombro a ombro com a vida estéril
Aqui chegou à Primavera.
A semente…
Chegada por si mesma
Vinda do sangue e da água que não borbotaram
Sem certezas de quê e de quem
De tributos não identificáveis
Nessa Primavera quando se cindiu
Mas nessa Primavera…
Quando olhava à direita
Era um homem, era uma barba
Quando olhava à esquerda
Era a terra, era uma semente
Confusa… alimentada de espanto
Tentada… mas alinhar não é com ela
A quem aderir, onde ocultar-se
A quem vencer ou rejeitar
Mas a podridão dessa Primavera é a sua fealdade
Lavrada com a ponta de balas
Cuspindo vidas infinitas
Varrendo o sopro dos passantes

Ceifando a morte com a morte
Malhando-a nos ombros dos vindouros
Rasgando o fruto por fim no receio
Pelo fruto…
Quando dia e noite se tornaram num só
Ansiedade e serenidade se mesclaram
Um mundo dentro de um mundo
Guerra dentro da paz
Confiança nas traseiras da traição
Mergulhou na confusão.
Mas não é confuso?

O flagelo da Primavera da guerra
Depois da lágrima de uma mãe pelo seu filho
A lágrima de um clã pelos seus bens
A lágrima da terra pela terra
Fluíram e fluíram torrenciais
E só então a terra se molhou e enlameou
Enchendo de lama a propriedade
Armadilhando todos… tendo roubado
Foi então que se criou a pá e a picareta
E surgiram a mortalha e a maca
Mas…
Sem querer estás ao seu serviço
Ainda sem querer lhe fazes companhia
Por mais que rezes para que se cale!

(Translated from English by Teresa Salema Cadete)

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